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Cozinheiros Demais

 

Antes de tudo eu quero relatar uma experiência irritante que eu tive.
Eu estava numa aula de espanhol para estrangeiros, conversando com um coreano simpático e uma sueca meio alfacinha. O coreano quer ser chef quando crescer, então, além do espanhol, está fazendo um curso de culinária.

A atividade proposta era discutir livros e filmes que tivéssemos lido e visto. Aí eu lembrei desse livro que vou comentar agora, que é um policial de que gosto muito e que se passa num evento entre vários chefs importantes do mundo inteiro. Como o autor também tinha um conhecimento básico sobre culinária, o livro tem várias receitas na história. Eu recomendei o livro para o coreano, já que ele queria ser chef.
E ele pegou o lápis pra escrever o nome do livro. Como eu não sei o nome em espanhol e muito menos o nome em coreano, disse pra ele o nome original: "Too Many Cooks".

"Péra. Não escreve isso não. O nome tá errado," interrompe a sueca.
Eu e o coreano olhamos pra ela. "Errado?" eu disse.
Ela ri, desdenhosa. Fala pro coreano, "Ela quis dizer 'Too Many Chefs', não 'Too Many Cooks'. Não existe 'cook' no sentido de cozinheiro em inglês; todo mundo faz esse erro..."
"Como se diz cozinheiro em inglês, então?" eu pergunto, já meio irritada.
"Não sei, mas não é cook."
"Bom, então pode ser que o autor tenha dado o nome errado pro livro, porque o nome é esse."
"Nossa, não precisa se ofender. Eu só tava tentando ajudar!"

Em tempo: cook significa cozinheiro.
E vocês mesmos podem ver a capa do livro.
Tem gente que merece, né????

Enfim. Depois desse momento de extrema irritação (especialmente porque eu não pude, por razões de força maior, martelar a cabeça da sueca intrometida até quebrar a cara desbotada dela com o livro), só me restou falar desse policial divertido, interessante e bem bolado que mais uma vez apresenta o excêntrico e obeso detetive Nero Wolfe.

Tudo começa com a aceitação, por parte de Wolfe, de um convite feito por um grupo de eminentes chefs internacionalmente conhecidos para discursar num encontro gastronômico. Um desses chefs é um catalão que tem uma receita secreta de salsichas, e Archie Goodwin, secretário e assistente de Wolfe, suspeita que o único motivo para Wolfe ter aceito o convite é o fato de que ele quer, mais do que tudo no mundo, a receita das salsichas.
Archie, por sua vez, se contenta em flertar com a filha do catalão, uma bela jovem que infelizmente tem preferencias por um jovem advogado que também estava no trem.

O livro todo se passa no hotel onde os chefs se encontram anualmente para criar refeições divinas, escolher um novo membro do grupo e ter brigas horrorosas entre eles discutindo qual é a melhor culinária do mundo.

Nesse ambiente de emoções intensas e gênios briguentos, um dos chefs mais odiados é assassinado durante um teste de paladar. E o autor da receita da salsicha é o principal suspeito da polícia.

Wolfe é então obrigado a trabalhar, e sua tarefa não é simplificada pela polícia local, tacanha e preconceituosa.
Um ótimo livro de mistério com algumas pitadas de culinária da haute cousine, esse romance policial é necessário a todos os que curtem um livro desse tipo ou que gostam das aventuras do gordo Wolfe.

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Path of Fate


Esse é o primeiro de uma trilogia que conta a história de Reisil, uma moça órfã que está feliz em poder retribuir a aldeia onde foi criada sendo a médica do povoado - ou o que eles chamam de Tark. 
Só que ela de repente é escolhida por um dos animais mágicos da deusa, um falcão ahalad-kaaslane (acho que é assim que escreve), que tem um link telepático com ela e faz com que ela seja uma das mais poderosas entidades da deusa no mundo físico.
Só que Reisil não quer ser uma ahald sei lá como escreve, ela quer continuar sendo uma Tark e cuidar das pessoas da aldeia, então ela recusa a proposta do falcão.
Enquanto isso, a guerra entre a terra dela e o reino vizinho chega a uma trégua, e um dos duques do reino vizinho vai passar pela aldeia de Reisil para chegar até a capital e assinar o tratado de paz. 

Quando a filha do duque é sequestrada, Reisil decide finalmente aceitar a dádiva da deusa e ajudar o grupo de busca, já que nenhum outro ahaldkas enfim tem um animal que voa. 


Se estiver confuso é porque eu não estou com as idéias muito no lugar hoje. Enfim, Reisil sai em busca da nobre sequestrada, junto com outros três ahaalad-kaslanees ou sei lá como escreve essa joça e mais um mago, e mais o irmão da moça e mais um outro cara, e no caminho vai descobrir não só que ela é mais poderosa do que imagina mas também que pessoas em que ela confiava podem estar por trás da trama de sequestro.

Não é que eu não tenha gostado do livro. Eu gostei. Mas eu me irritei um pouco com essa pegada de "moça independente num cenário medieval fantástico de repente descobre que é mais poderosa do que qualquer outro ser nesse universo e agora tem que lidar com isso". 

Ou talvez eu esteja cansando de fantasias medievais.  
Sei lá. 

Eu li o livro de uma tacada só, ele é muito divertido. Só não é memorável. 

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Speaker for the Dead



Ao fim do Ender's Game, vemos Ender e sua irmã Valentine partindo da Terra para colonizar um novo planeta. Portanto, a continuação direta da história deles é esse livro, que eu li em inglês mas a capa é idiota. A história de Bean, Peter, Petra e outras personagens, que acontece logo após as guerras contra os abelhudos, é continuada numa série paralela, que inclui Ender's Shadow, a história de Bean, e Shadow of the Hegemon, Shadow Puppets e Shadow of the Giant, que mostra o que acontece na Terra depois da guerra.

Esse livro, portanto, mostra a história de Ender. Que passou os últimos dez anos viajando entre os planetas. O que significa que, viajando mais ou menos a cada seis meses, numa velocidade sub-luz que "altera o tempo", ele tem 35 anos, mas a guerra dos abelhudos aconteceu há cerca de 3 mil.

Ender é agora considerado um monstro, o terrível assassino que acabou com a raça dos abelhudos, alienígenas pefeitamente inteligentes e evoluídos que pararam de atacar os humanos assim que perceberam que nós éramos inteligentes.
Ender, portanto, deixa esse nome para trás, e passa a ser Andrew Wiggin, professor universitário que viaja o mundo junto com sua irmã Valentine.
Além disso, Andrew é um Orador dos Mortos. Essa entidade, que surgiu com o livro 'The Hive Queen and the Hegemon', escrito logo após o extermínio dos abelhudos, é uma pessoa que, a pedido da família do falecido, descobre a verdade sobre a vida da pessoa e fala a respeito disso para quem quiser ouvi-lo. É claro que Andrew é o Orador original, tendo ele mesmo escrito o livro, há 3 mil anos, sendo o Orador dos Mortos da Rainha dos Abelhudos. Foi esse livro que mostrou a todos os humanos que os abelhudos não eram hostis, apenas diferentes. E foi esse livro que fez com que Oradores dos Mortos se multiplicassem pela galáxia.

Enfim, Andrew Wiggin está num mundo nórdico com Valentine, que está grávida. Ele recebe um pedido para ser Orador dos Mortos em um planeta próximo chamado Lusitania.
Esse pedido é interessante por dois motivos. Andrew reconhece no rosto da garota que faz o pedido a mesma dor e culpa que ele sentia quando pequeno, durante as guerras dos abelhudos. E Lusitania é o planeta onde foi encontrada a primeira raça alienígena inteligente desde os Abelhudos.
Mesmo sabendo que, por causa do deslocamento temporal nas viagens interplanetárias, ele só vai chegar em Lusitania quando a menina que fez o pedido tiver vinte anos a mais, Andrew faz a viagem.

E quando chega em Lusitania vê que as coisas estão muito mais complicadas. Os Pequeninos, a tal raça inteligente, que no entanto está em fase tribal, são uma raça tão imensamente diferente dos humanos que os primeiros conflitos se iniciaram durante os anos que Andrew passou viajando. Os dois xenobiólogos que pesquisavam os pequeninos foram brutalmente assassinados por eles. Uma cerca eletrificada foi erguida entre a cidade dos humanos e o resto do planeta. 
E Novinha, a menina angustiada que fez o pedido por um Orador dos Mortos, é agora uma mulher amarga de meia idade, que acabou de perder o marido e tem uma família disfuncional para criar.

Entre os filhos de Novinha e os Pequeninos, além de Jane, a melhor personagem de livros de ficção científica que eu já vi na vida, o autor desfia suas opiniões sobre o que é estranho e inaceitável para os seres humanos e a capacidade de aceitar o que é diferente. 

Enquanto O Jogo do Exterminador falava de um grupo de crianças forçadas ao máximo em jogos de guerra e extermínio, Orador dos Mortos lida com problemas e paixões adultos, mesmo que observados de perto pelo grupo heterogêneo e brilhante que são os filhos de Novinha.
Um livro extremamente interessante e bem escrito, que continua a série de Ender com muita imaginação.

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The Truce at Bakura


Esse livro se passa logo depois da batalha de Endor, quando a Aliança Rebelde consegue finalmente destruir a segunda Estrela da Morte. Darth Vader e o Imperador morreram durante essa batalha, mas nem todo o Império sabe dessas notícias, e muitos se recusam a admitir a derrota.
Enquanto isso, um planeta sob domínio imperial envia um pedido de ajuda direto pelos canais secretos do Imperador, e a Inteligência da Aliança, interceptando a mensagem, concorda com o governo da Nova República que algum tipo de ajuda deve ser enviado ao sistema Bakura, que está sendo ameaçado por alienígenas desconhecidos.
Dessa forma, argumentam os políticos, Bakura pode passar a fazer parte da Nova República, e mais um sistema importante terá se desvencilhado do poder imperial.
É claro que os escolhidos para ajudar Bakura são nossos heróis favoritos: Luke, porque é um Jedi; Léia, porque é uma diplomata; e Han, que não sai de perto dos dois.

Não é assim uma obra prima do Timothy Zahn, mas é um livrinho divertido e empolgante. A ameaça dos ETs é tão séria que os imperiais em Bakura aceitam assinar uma trégua (daí o nome do livro) com os "rebeldes" em troca de ajuda. Por sua vez, Luke, Leia, Han e Chewie, ao mesmo tempo em que tentam acabar com a ameaça (que é bem ameaçadora, como não podia deixar de ser: algo como ETs cujo hobby e trabalho principal consiste em transformar humanos em robôs-zumbizóides-ainda-cônscios-da-sua-sina) têm de convencer o governo de Bakura a dar um pé na bunda dos imperiais e vir pra gloriosa Nova República.

É claro que não faltaram momentos semi-românticos entre Han e Leia, com Chewie ou 3PO estragando tudo, e uma moça pro Luke se interessar - e que infelizmente não só odeia Jedis como tem uma carreira promissora impedindo que ela se desligue de Bakura pra seguir nosso herói em suas estripulias.
Mas tudo está bem quando acaba bem. 
Eu pelo menos me diverti.

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Aquisições e Atualizações depois de um mês fora

Ufa! Voltei!

Mais uma vez peço desculpas a todo mundo que acompanha meu blog e viu como ele ficou às moscas, tadinho, durante esse mês...
Mas foi por uma boa causa, mesmo que melhorar o meu espanhol tenha exigido que eu ficasse sem arroz e feijão por tanto tempo (não aguento mais batata frita. Mesmo. Se colocar na minha frente dá até nojo).

Mas, agora que eu voltei, pretendo não deixar mais o blog sozinho, largado e abandonado, e nada melhor pra começar do que mostrar pra vocês que dão uma arranhada no espanhol os clássicos que existem por aí.

É claro que os livros lá fora são sempre mais baratos do que aqui, mas eu já escrevi um tratado sobre isso (ou pelo menos pensei em escrever), então vou só mostrar minhas aquisições, sem mencionar os preços RIDÍCULOS que eu paguei. Sim, oito reais (na conversão) FOI o preço que paguei por alguns.

Esses dois livros eu comprei por indicação, quando me falaram "se você quer ler em espanhol, são esses autores contemporâneos que você tem que procurar".


La Sombra del Viento é a história de um garoto que ganha um livro misterioso, na Espanha dos anos 40, e isso acaba mudando sua vida. Não comecei a ler ainda, mas todo mundo que conhece o livro falou que é fantástico. Alguém já ouviu falar?
O autor é bastante famoso na Espanha, já escreveu vários livros para adultos, e esse é o primeiro dele que toca um pouco a temática infanto-juvenil.

La Catedral del Mar, que foi escrito por um catalão (e uma catalã que conheci faz questão de dizer que o título em espanhol está errado, que em catalão o nome é "A Igreja do Mar", porque o edifício que dá nome ao título é não é catedral coisa nenhuma) e traduzido para o espanhol. A Igreja do Mar existe mesmo, em Barcelona, e foi uma das poucas que foi construída por gente comum, sem o incentivo dos governos, que na época (tipo, século XIV) estavam se digladiando pra ver qual país tinha a catedral mais fodástica - Notre Dame em Paris liderando a corrida. Enfim, o autor pesquisou bastante a história dessa igreja, que foi construída por pescadores catalães, e escreveu a história romanceada da cosntrução, como se fosse um Pilares da Terra catalão. Também não comecei a ler, mas a catalã que me indicou é apaixonada pelo livro.
Esse livro foi traduzido para o português, viu gente, vale a pena ir atrás.




Bom, quem me conhece sabe da minha paixão por livros de capa e espada. Portanto, qual não foi minha alegria ao encontrar toda a série dos livros do Capitão Alatriste em promoção!
Ok, eu nem sabia quem era o tal Alatriste, mas quando descobri que tinham feito um filme dele com o Viggo, tudo mudou de figura.
Alatriste é um espadachim de aluguel em Madri, no século XV. Mistura Os Três Mosqueteiros com uma narrativa moderna e o sangue espanhol. Alguém tem alguma dúvida de que é MUITO LEGAL??
Enfim. O primeiro volume, El Capitán Alatriste, é bem divertido. Só não terminei ainda de ler porque a vida depois da viagem está no mínimo bem atribulada, mas assim que terminar posto os resultados aqui.




Enfim. E a vida continua. Bem vindos de volta ao meu mundo literário!
obs: quanto aos selinhos, sorteios, promoções e afins que me foram tão gentilmente ofertados durante esse tempo, não dei resposta pelos mesmos motivos que não apareci no blog. Prometo que assim que possível atualizarei meus relapsos. E obrigada!


e se alguém souber de algum emprego dando bobeira, eu topo qualquer parada, viu? É só me falar. Depois da viagem esotu devendo até as calcinhas. Tou falando sério. Tradução, revisão, vendedora, secretária, aulas particulares de inglês (se alguém tiver precisando, viu! Faço desconto pra leitoras do blog!), de verdade! =D

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Desafio 2010: Livro de Janeiro - Desejo Soberano



Esse é o mês dos romances de banca.
Como já devem ter percebido, não tenho muita paciência com livros do gênero, e peguei esse aleatoreamente na banca quando fui comprar.
Não sabia que era um romance de época, mas me animei lendo quando vi que se passava na Inglaterra do rei João (irmão do Ricardo Coração de Leão, lembram?).
Infelizmente, apesar de ambientação me agradar, os personagens me irritaram um pouco. Armand de Boisbaston, um cavaleiro mega master blaster honrado e leal ao seu rei, é acusado de traição pelo rei João por ter se rendido durante uma batalha na Normandia (ele só se rendeu por que se não os franceses iam ter acabado com todo mundo, gente, ele é um cara legal, não um covarde).
Lady Adelaide é a filha mais velha de um casal de nobres que é mandada pra corte pra arranjar um marido, só que ela fez um juramento com as irmãs de que nunca vai se casar! porque o pai dela era um tirano que maltratava todo mundo e a mãe era uma fracote submissa e ela não quer pertencer a homem algum, quer ser independente e se as mulheres da idade média não pensavam assim, azar, porque Adelaide é uma mulher moderna.
Enquanto os dois se conhecem e se odeiam, mas sentem uma atração incrível um pelo outro, eles descobrem uma trama para assassinar o rei João. Mesmo Adelaide sabendo que assim que puder o rei vai tentar usá-la como amante, e mesmo Armand sabendo que assim que puder o rei vai acusá-lo de traição, ambos são muito honrados e leais à coroa, e decidem ajudar o rei a identificar os culpados pela conspiração.
Só que nenhum dos dois viu o rosto dos vilões, que estavam confirmando as mortes de todos os conselheiros do rei em voz alta no meio do jardim do castelo (meio descuidados, mas enfim).
Para continuar com as investigações, Armand convence Adelaide de que eles tem que fingir estar noivos, pra ninguém desconfiar de porque estão sempre juntos.
¬¬
Enfim, aí rola todo tipo de atração, como supermastermega honrado Armand propondo casamento a cada cinco minutos e Adelaide hesitando, mas e o juramento??!!, e chega até um ponto que ela se apaixona de verdade por ele e considera ser sua amante, mas nunca casada! porque as mulheres que se casam passam a pertencer aos maridos e ela não pertence a ninguém bla bla bla.

O suspense até que segura você durante o livro (qual personagem mal construído e rasinho dos fundos da trama será o grande vilão?), mas o rei é tão tirânico, desagradável e nojento que não sei se admiro tanto assim todos os esforços deles. A justificativa é que a guerra faz os pobres camponeses sofrerem, então é melhor ter um mau rei do que uma guerra. Na idade média isso era provavelmente verdade, já que os camponeses raramente eram afetados pelos reis. Mas a justificativa se repete tanto que cansa.

De qualquer forma, é um livro bonitinho, se você gosta do gênero....

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Ender's Game




Depois de meses tentando achar esse livro, e só encontrando pockets de má qualidade jogados nos fundos das prateleiras, eu me impacientei e comprei, numa frenzy pré Natal, o livro em português.
Eu tenho bronca com a editora, mas é uma bronca totalmente nerd e eu entendo perfeitamente que a política deles em relação aos livros de RPG não é a mesma que a dos romances... E a tradução é bem boa.

Na Terra do século XXIII, uma raça alienígena tecnologicamente BEM mais avançada ameaça a humanidade. As leis contra a superpopulação faz com que os casais não possam ter mais de dois filhos. Em busca de pequenos gênios que possam ser os combatentes contra os alienígenas, um órgão mundial mantém as crianças sob constante monitoração (com um ship na cabeça delas) para identificar as que podem ser enviadas a uma Escola de Combate localizada na órbita da Terra.

Andrew Wiggin é um Terceiro. Seu irmão mais velho, Peter, foi considerado violento e amoral demais, apesar da inteligência avançada. Pediram que o casal agora tivesse uma menina, esperando que fosse ser mais amável. Valentine, também imensamente inteligente, saiu amável demais, o que não serviria para formar uma líder militar. Esperando ter sorte da terceira vez, o governo pediu que os Wiggins tivessem mais um filho, e Andrew saiu violento como Peter, porém com os escrúpulos de preservação e compreensão do outro de Valentine.

Ender, como ele gosta de ser chamado, é tirado de casa aos seis anos de idade e mandado para a Escola de Combate. Lá ele é hostilizado por ser tão pequeno e tão inteligente, e é excluído do grupo pelos próprios professores, que querem que ele aprenda a ser independente. Além disso, há uma mente por trás de tudo que avalia o que fazer com a vida de Ender para que ele se torne um líder nato. E isso inclui impedir que ele faça amigos.

A situação é desesperadora para a Terra, como Ender logo descobre. Os abelhudos, como são chamados os terríveis ETs que parecem formigas gigantes, têm tecnologia infinitamente superior, têm uma forma de comunicação instantânea que os humanos não compreendem, e só foram derrotados na última batalha, sessenta anos antes, por puro acaso.

O mundo das crianças dentro de uma estação espacial gira em torno dos jogos de guerra numa sala sem gravidade. Com a intervenção não tão sutil dos professores, Ender sofre mais do que qualquer outro colega . Os professores querem que ele fique isolado para que possa liderar, indefeso para que possa ser independente, e odiado pelos colegas para que possa aprender a se defender.
Ender logo mostra que a maneira que ele encontra para acabar com um conflito é deixar o inimigo sem poder para tentar de novo.

E é isso que os professores da escola de combatem percebem e usam para transformar Ender no perfeito líder contra os abelhudos.

Ao mesmo tempo, Ender se envolve com um jogo de computador que usa seus maiores medos e anseios para fazê-lo perder. O que ele não sabe é que outra entidade tomou conta desse jogo, e vai usar todas as informações que consegue sobre Ender através do jogo para garantir sua própria sobrevivência.

Na Terra, os irmãos de Ender não param. Peter convence Valentine a dominar o mundo, porque adivinha que, assim que os ETs forem derrotados, o mundo voltará a entrar em guerra. Os dois criam personagens falsas na internet e começam a escrever colunas em revistas políticas de prestígio. Os dois mini gênios sabem que têm inteligência suficiente para parecerem bem mais velhos, e usam seu poder de persuasão e análise para moldar a opinião pública mundial. Peter tenta ser mais agressivo e influente, enquanto Valentine tenta apelar aos mais inteligentes e cultos da Terra para impedir uma guerra mundial.

Um livro brilhante, que segura o leitor do começo ao fim. Um clássico da ficção científica que nos faz pensar no nacionalismo, na sobrevivência humana, na capacidade de liderança e no que eu faria, se estivesse, agora, no lugar de Ender.
Eu realmente espero que, quando fizerem o filme baseado nessa obra, eles consigam captar o mínimo dessa história.

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The Silent Speaker




Esse é, na minha opinião, um dos melhores livros com o detetive Nero Wolfe, o gordo chato que adora orquídeas, detesta mulheres e vive para a comida e para a cerveja.

A história é legal, os personagens são bacanas, o mistério é bem construído. Mas o mais legal mesmo é a dinâmica entre Wolfe e o departamento de polícia de Nova York.
Cramer, o inspetor, tem uma relação de ódio profundo com Wolfe, mas não deixa de respeitá-lo quando faz alguma dedução brilhante (ou seja, sempre).
Só que, no caso entre a NIA (National Industrial Association - associação industrial nacional) e o BPR (Bureau of Price Regulations - departamento de regulamentação de valores), o FBI também tem o que dizer, e Wolfe está sob o dobro de pressão. A NIA e o BPR são inimigos políticos, e o diretor chefe do BPR foi assassinado antes de um discurso que ele ia dar... na sede da NIA.
Teoricamente, e daí o nome do livro, ele havia gravado umas fitas e mandado pra sua secretária no mesmo dia, antes de ser assassinado, e todo mundo acha que uma das fitas contém o nome do assassino. Só que ninguém consegue achar as fitas certas, e quando encontram uma maleta com espaço pra dez fitas com apenas nove dentro, Wolfe tem certeza de que 1) a fita que sumiu é a fita com o nome do assassino e 2) a fita que sumiu está com Hattie Harding, a secretária do cara que morreu.
Assim que ele faz essa dedução incrível, Archie encontra Hattie assassinada no portão dos fundos da casa deles.

Com isso, o departamento de polícia e o FBI estão mais do que putinhos, e resolvem tirar o Cramer do caso e colocar um outro inspetor.
E basta para que Wolfe passe a idolatrar Cramer e se recusar a trabalhar enquanto ele não for readmitido.

Com a pegada de comédia que sempre rola nos livros quando é o Archie que está narrando a história, é um dos poucos livros do Rex Stout com o Nero Wolfe que não me deu tédio no meio dele, o suspense foi mantido até o fim, e mesmo com uma renca de personagens, entre as duas associações políticas, deu pra se identificar com a história a ponto de se surpreender com o assassino.

Um belo livro policial. Foi traduzido como O Orador Morto, mas não sei se ainda existe pra vender. Tentem, se gostam do gênero.

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Assassinato na Casa do Pastor




Então, eu gostaria de pedir desculpas a todos que acompanham esse blog de uma maneira ou de outra. Esse fim de ano foi punk, com o fim da faculdade, sem o emprego e essas coisas banais que nos impedem de ter qualquer pensamento criativo. Infelizmente as coisas vão continuar meio paradas por aqui em janeiro, já que vou passar um mês fora (mais um motivo pra minha cabeça estar a mil, e sem tempo pra pensar no blog...). Mesmo assim, já que andei lendo umas coisas legais ultimamente, vou dar um gás nesse fim de ano pra vocês terem o que ler! =D

Esse é um livro da Gata que eu gosto muito, principalmente porque o narrador é o Sr. Clemens, o pastor de St. Mary Mead (a cidadezinha pacata no interior da Inglaterra que parece sempre ser o local de algum crime hororroso).
Logo no início somos apresentados ao terrível Coronel Potheroe, um velho chato, implicante, mal educado, preconceituoso e, ainda por cima, surdo. Aí ele morre.
Quer dizer, é morto com um tiro, justo quando ele estava esperando pra ver o pastor sobre um assunto complicado na igreja.
Então temos, o pastor, sua esposa 25 anos mais nova, o sobrinho de 16 anos do pastor, a viúva, a filha do coronel, o artista que estava pintando o retrato da filha, o professor de arqueologia que estava escavando na propriedade do coronel, sua secretária bonitona, o ajudante do pastor, o inspetor de polícia sem a menor noção...
Todos personagens já meio conhecidos do gênero. E aí entra em cena Miss Marple, detetive consagrada da Gata, uma senhora velhota que usa seu amor pelas flores e pelos pássaros para saber tudo o que acontece na aldeia (ela se agacha no jardim quando passa alguém conversando e que ela não quer que saiba que ela está por perto e usa seu binóculo de olhar pássaros pra ver as pessoas de longe).

Um livro bonitinho, bem típico dessa fase da Gata (que é a que eu mais gosto). Pra quem gosta dos policiais e gosta da Gata, é uma bela aquisição.

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Three Witnesses



Primeiro eu gostaria de pedir desculpas a todos que acompanham esse blog de uma maneira ou de outra. Esse fim de ano foi punk, com o fim da faculdade, sem o emprego e essas coisas banais que nos impedem de ter qualquer pensamento criativo. Infelizmente as coisas vão continuar meio paradas por aqui em janeiro, já que vou passar um mês fora (mais um motivo pra minha cabeça estar a mil, e sem tempo pra pensar no blog...). Mesmo assim, já que andei lendo umas coisas legais ultimamente, vou dar um gás nesse fim de ano pra vocês terem o que ler! =D

Segundo que eu sempre achei que a Agatha Christie era melhor escrevendo romances do que contos. Os contos dela são sempre meio mal desenvolvidos, ela não parece à vontade no gênero, e no fim das contas soa como se ela tivesse tido uma idéia brilhante sobre o assassinato e depois tivesse ficado com preguiça de transformar aquilo em um livro. Inclusive, vi que vários contos dela foram transformados em romances e publicados anos depois.
Ao contrário dela, o Rex Stout é muito mais legal pra mim nos contos do que nos romances. Os livros dele são longos e entediantes (dentro de limites, é claro), enquanto os contos são 'rápidos' mas não parece que está faltando coisa. Esse trio de contos reunidos nesse livro, todos tendo como protagonista o gordo e chato Nero Wolfe e seu assistente bem humorado Archie Goodwin, são escolhidos aparentemente de modo aleatório (já que o nome da coletânea, Três Testemunhas, sugere algo em torno de julgamentos, e apenas o primeiro conto tem esse tema), mas são três historinhas bem legais, que demonstram bem a pegada das histórias do famoso detetive.

The Next Witness - Wolfe é chamado para depor no julgamento de um cara chamado Ashe, que supostamente assassinou uma telefonista. Segundo Wolfe, ele estava imensamente insatisfeito com o caso colocado pela acusação e resolveu agir para salvar a vida de Ashe. Segundo Archie, Wolfe estava irritado com a acusação por tê-lo chamado, pra começar, e resolveu agir para acabar com o caso deles.
O que acontece é que o gordo detetive simplesmente sai do julgamento sem falar com ninguém (o que prontamente faz com que o juiz emita um mandato de busca e prisão no nome de Wolfe e Archie), e vai a vários lugares para descobrir a verdade sobre o caso. Só que eles não podem voltar pra casa, porque a polícia está lá para prendê-los por desrespeito ao chamado da corte.

When a Man Murders... - Um casal feliz descobre que o "ex" marido dela que ela achava que havia morrido no Vietnã, não está morto coisa nenhuma, está em Nova York e quer a mulher de volta. Eles pedem pra Archie ir até o hotel dele convencê-lo a dar o divórcio a ela. Só que quando Archie chega lá, o homem está morto, assassinado.
Um conto engraçado principalmente pela irmã do morto, uma garota sem papas na língua que coloca todo mundo em situações complicadas. Especialemente quando Wolfe demonstra que a viúva do cara e seu novo marido (os principais suspeitos, por motivos óbvios) não podem ter sido responsáveis pela morte do ex-soldado.


Die Like a Dog - Archie descobre que o cliente que Wolfe acabou de recusar foi embora com a capa de chuva errada. Em vez de levar a sua própria, levou a de Archie, que era muito parecida e estava pendurada ao lado. Então Archie vai até o prédio do cara para fazer a troca de capas, e quando chega lá, um cara foi assassinado, e tem um labrador lindo perdido na cena do crime que começa a seguir Archie.
Para a surpresa do nosso colega, Wolfe até que gosta do cachorro, e quando a polícia vem pedir o bicho para ajudar nas investigações do assassinato que teve a cena invadida por Archie tentando devolver a capa, Wolfe se irrita, decide adotar o cachorro e pra isso pensa que a melhor maneira de impedir a polícia de por as mãos no cachorro é resolver o caso o mais rápido possível.
O que eu mais gosto são as motivações de Wolfe.

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Inocente Feiticeira



Aí eu resolvi tentar ler um dos romances melecosos históricos. E a Bia tinha razão, viu? Gostei bem mais.
Não que a situação não seja inverossímil (é!), mas o romance desse livro é bem mais bonitinho do que do tal Táticas de Sedução.
Ela é sobrinha de um lorde inglês; ele é um senhor de terras escocês.
Só que, além de ambos terem poderes sobrenaturais (ele tem premonições e ela consegue curar as pessoas), ele foi acusado de assassinato por um primo que roubou seu castelo e ela é constantemente espancada pelo tio.

No barco onde se conhecem, ele tem uma premonição de que ela vai cair na água durante uma tempestade, e quando isso acontece, resolve salvá-la. E os dois acabam numa praia deserta.
Resolvem proseguir juntos, e ele logo encontra um jeito de obrigá-la a fingir que é mulher dele por causa dos aldeões desconfiadas. E o resto vocês podem imaginar.

Fora o fato de que ambos os personagens pensam 'modernamente' em um mundo medieval, achei a parte histórica até que bem fundamentada. Além disso, o romance entre os protagonistas até que é bonitinho (ok, é óbvio que ela é virgem, mas no contexto do livro isso faz sentido, vai), e, fora o fato de que ela é uma ruiva magrela e a morena gostosa é deixada de lado (tenho um problema com ruivas e eu sou morena), o livro é bem consumível. Fora o final que é irritante, com a heroína bixa porque não quer casar com ele se não as pessoas vão ter ainda mais motivos para chamá-los de bruxos (tipo... na Escócia? Alou??). No fim das contas até parei de ler, porque era muita enrolação (onde já se viu uma mocinha NÃO querer casar com o mocinho?), mas até aí, quem se importa com o fim, certo? Afinal de contas, é literatura despretensiosa, a sacanagem é bem escrita, o cara é bonitão e a moça é gente fina.
Pra ler no trampo, quando não tiver nada pra fazer, saca?

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Desafio Literário 2010 by RG



Finalmente consegui juntar minha lista! Olha que não foi fácil, hein. A maior parte são livros que tenho em casa e não li ainda, mas o Trocando Livros (e infelizmente também a Livraria Cultura) me deram uma mãozinha...
O desafio é o de ler um livro por mês, de acordo com temas específicos. A idéia, originalíssima, foi da Vivi, do blog Romance Gracinha. Como qualquer desculpa é desculpa pra eu ler meus livros, ataquei minha lista dos 'por ler' para conseguir encaixá-los nos temas propostos.
Quem quiser participar, btw, ainda está em tempo! Passem no Romance Gracinha, ou no blog oficial do Desafio, e entrem na brincadeira!

O resultado das minhas seleções foi o seguinte:



Janeiro. Tema: um livro da Nova Cultural ou da Harlequin.
Livro escolhido: Brumas de Akora (Josie Litton), porque era o único na banca com um castelo na capa. Todo mundo já deve saber da minha paixão por fantasia medieval e da minha falta de experiência com romances de banca. Vamos ver no que dá.
Livro reserva: Desejo Soberano (Margaret Moore), porque não queria pegar um livro da Nova Cultural sem pegar um da Harlequin, e estava curiosa pra ler um desses romances melecosos que se passavam na atualidade. E porque a promoção era dois livros por R$ 10,00.
Na verdade, entrei na banca e peguei dois livros aleatórios, confesso...




Fevereiro. Tema: Um livro que nos remeta aos contos de fadas.
Livro escolhido: Dragões de Éter (Rafael Draccon). No mundo de Arzallum, coisas estranhas estão acontecendo. Um casal de irmãos é encantado por uma bruxa na floresta, e descobrem que todos os doces que estavam comendo eram na verdade pedaços de madeira, vidro e lama. Já uma outra garota da aldeia, após ver sua avó ser devorada por um lobo gigantesco, recebe um apelido desagradável quanto à cor do seu casaco, manchado com o sangue da parente.
Contos de fadas sombrios, pra dizer o mínimo. Tou dentro! =D
Livro reserva: A Fate Worse Than Dragons (John Moore). Um cavaleiro consegue permissão para matar um dragão para pedir a mão da bela princesa. Mas ele acaba matando o dragão do reino errado... e a princesa que vem com o pacote tem um hábito de falar com as árvores.
E, para citar a contracapa, todo mundo sabe que casar com a princesa errada é um destino pior do que dragões...






Março. Tema: Um clássico da Literatura universal.
Livro escolhido: Ivanhoe (Walter Scott). Porque, além de ter comprado esse livro há séculos, é um romance sobre a era das Cruzadas. É O Romance sobre as Cruzadas, na verdade, sendo inclusive o que trouxe o tema de volta à moda na época em que foi escrito. E eu adoro as Cruzadas.
Livro reserva: Emma (Jane Austen). Não consegui ler Mansfield Park (pelo menos não da vez que eu tentei. Fanny Price é por demais insípida), mas me falaram que Emma é o segundo melhor da autora, depois da obra prima Orgulho e Preconceito - que eu adoro. Vamos ver.




Abril. Tema: Um livro de escritor(a)Latino-Americano.
Livro escolhido: Los Días Del Venado (Liliana Bodoc).
Livro reserva: La Ciudad de Las Bestias (Isabel Allende). Quem gosta da Livraria Cultura ia pirar na El Ateneo, a mega livraria de Buenos Aires. Eu nem fui na filial mais da hora (que fica em um antigo teatro), mas mesmo assim fiquei enlouquecida com as promoções - em pesos - dos livros. Perguntei pra atendente o que ela tinha de literatura maravilhosa infanto-juvenil originalmente em língua espanhola. Esses dois eu comprei por cerca de 22 pesos cada (ou seja, uns dezoito reais), e além disso também comprei Grimpow, mas o autor é espanhol, então fica pra depois.




Maio. Tema: um Chick-lit.
Livro escolhido: Sem Clima para o Amor (Rachel Gibson).
Livro reserva: Bom de Cama (Jennifer Weiner). Como sou uma anta em matéria de chick-lit, e estava ficando sem grana, e já li Bridget Jones, e não tenho mais paciência pra Becky Bloom, consegui esses dois e-books que pareceram interessantes. Leitoras ávidas do gênero, fiz boas escolhas??







Junho. Tema: Um livro de uma escritora brasileira.
Livro escolhido: Tempo de Travessia (Eliana Martins e Rosana Rios). Eu já li o primeiro livro da série (uma rara série de fantasia infanto-juvenil escrito por brasileiras), que é muito legal, onde as crianças descobrem um outro mundo ligado ao nosso, onde seres feitos de rochas vivem pacificamente por entre nossas cavernas. Eu vou reler o primeiro, mas como é uma releitura, nem conta. Detalhe que a Rosana Rios é minha ídala master, e não só por ser a 'tia Shelob'.
Livro reserva: O Livro dos Contos Enfeitiçados (Martha Argel). É um e-book que parece muito legal, com uma série de contos fantasiosos. E escrito por uma brasileira que pelo jeito também curte escrever vampiros. Só que de vampiros eu já tive minha cota.



Julho. Tema: Um livro adaptado para o cinema.
Livro escolhido: The Client (John Grisham). Depois de ter lido O Júri, acabei pegando esse no Trocando Livros, com a garantia de que já gostei do filme. Sabem qual é, o do garoto que está sendo perseguido por mafiosos e pelo FBI e consegue a Susan Sarandon de advogada? Pois é, bem legal. Acho que o livro deve ser ainda mais emocionante.
Livro reserva: Do Androids Dream of Electric Sheep? (Phillip K. Dick). Duas palavras: Blade Runner. Foda!





Agosto. Tema: Um romance policial.
Livro escolhido: The Patience of the Spider (Andrea Camilleri). Infelizmente os livros do Inspetor Montalbano não estão sendo traduzidos tão rápido quanto eu gostaria, mas minha tia trouxe dos USA essa tradução para o inglês. É triste, porque ler italiano traduzido deve ser um saco. Mas eu faço isso pelo Montalba...
Livro reserva: The Girl With the Dragon Tattoo (Stieg Larsson). Todo mundo já sabe do que se trata, né? Infelizmente eu tenho preconceito contra best-sellers (que não sejam de fantasia, bem entendido), então só me mexi pra ler esse agora, com o Desafio me dando o empurrão inicial.




Setembro. Tema: Um romance histórico.
Livro escolhido: Prelúdio de Sangue (Jean Plaidy). É a história da família Plantagenet, de onde fez parte meu querido Ricardo III. Não entendi ainda com que antepassado dele começa, mas adoro o fim da Idade Média, e adoro a Inglaterra do fim do século XV, e adoro a Guerra das Rosas. Ê!
Livro reserva: Master and Commander (Patrick O'Brian). Quem já viu o filme master do universo com o Russel Crowe?? Mamãe gostou tanto que, quando viu os livros que deram base ao filme à venda num sebo, comprou todos os volumes da série, e já leu todos.
Como são 19 volumes e eu ando meio sem tempo - pra não falar na minha quilométrica lista de livros por ler - acabei deixando-os pra depois. Pros hereges que ainda não viram o filme: início do século XIX, marinha britânica, guerras napoleônicas, e a amizade entre um médico e um capitão de navio.



Outubro. Tema: Um livro que contenha uma lição de vida. Pode ser ficção ou não-ficção.
Livro escolhido: Dom Camilo e Seu Pequeno Mundo (Giovanni Guareschi). Um padre e um coronel em uma cidadezinha no interior da Itália discutem sobre a existência de Deus de forma cômica porém tocante. O livro fez sucesso suficiente pra ser transformado em série de TV, ouvi dizer.
Livro reserva: The Left Hand of Darkness (Ursula K. Le Guin). Vencedor de inúmeros prêmios, essa ficção científica lida com diversos medos e tabus humanos quando um emissário da união de planetas chega até Winter, um planeta onde sempre é inverno e onde todos os habitantes têm o mesmo sexo. Quem já assistiu O Clube de Leitura de Jane Austen? É essa a autora de quem o moço tanto fala que ficção científica não é só um monte de naves explodindo.



Novembro. Tema: Um livro de escritor(a) de Portugal.
Livro escolhido: Heart of Light (Sarah A. Hoyt). Ok, o nome dela é Sarah de Almeida, e ela nasceu em Portugal. Mas ela mora nos USA, então assina Sarah A. Hoyt, escreve em inglês e os livros dela se passam em um Império Britânico semi-steampunk. COMO não ler??
Livro reserva: Soul of Fire (Sarah A. Hoyt). Continuação de Heart of Light. Sim, eu compro as continuações em lote pra não passar nervosismo depois que termino de ler os primeiros volumes.





Dezembro. Tema: Um livro (ficção ou não ficção) que tenha a palavra “Coração” no título.
Livro escolhido: De Tanto Bater Meu Coração Se Cansou (Marcia Kupstas).
Livro reserva: Enterrem Meu Coração Na Curva do Rio (Dee Brown).
Livro necessário: Heart and Soul (Sarah A. Hoyt).
Esse foi difícil, viu? Só tem drama, romance e auto-ajuda com esses nomes, e nenhum me atraía. Só consegui o último dessa lista depois de ter pedido os dois primeiros pelo Trocando Livros. Mas é até bom, me faz ler gêneros diferentes. O primeiro é sobre um garoto pobre e uma garota rica que se apaixonam (romance / drama). O segundo é sobre o massacre dos índios norte-americanos na batalha de Wounded Knee (D-Rraaaamaaa). E o terceiro... bom, o terceiro é a continuação da série da Sarah Hoyt, que eu não resisto.

E sim, é claro que eu vou ler tanto o livro escolhido quanto o reserva. Que pergunta!

3

Táticas de Sedução - Chantagem de Amor




Foi uma das minhas primeiras incursões no mundo dos romances de banca.
E não me desapontei: a parte que eu esperava que fosse boa (a sacanagem) é boa. E a parte que eu achei que fosse ruim (a história) é ruim.

Ela é uma moça linda e independente que está para se casar.
Ele é um moço lindo, rico e mulherengo que é "obrigado" a se casar com ela para receber a herança do pai.
Ele acha que ela só quer saber de dinheiro; ela acha que ele é um insensível que só quer saber de curtir a vida sem compromisso. Ele não hesita em chantageá-la para conseguir que ela concorde com o casamento, nem em mostrar pra ela que o suposto noivo dela na verdade a está traindo.
Bom, até aí, temos a mocinha e o mocinho, que não se gostam, sendo obrigados a fingir que estão casados.

Seria bem legal (e descompromissado) se não fossem alguns aspectos.
Apesar de ter 28 anos e ser linda, simpática e profissionalmente bem sucedida, ela é virgem.
AHAN.
Como infelizmente não tenho paciência com virgens, isso já me deixou master broxada. Detesto qualquer coisa erótica onde a mulher é virgem, porque não conheço NENHUMA mulher cuja primeira vez tenha sido prazerosa. Legal, sim. Interessante, sim. Romântica, sim. Mas... prazerosa, com aquilo tudo entrando onde antes não cabia nadinha? Fala sério.

Enfim. Aí, como os dois não se gostam, rola um lance meio "sexo forçado". Que até é legal, mas do jeito que a mulher escreve, rola um lance violento mesmo, já que ele abusa dela verbalmente também. Além disso, ele deixa claro que vai comer outras minas, mas não admite que ela saia com outros, durante o casamento fachada.
Aí eu me emputeci. Virgindade + chauvinismo já é demais, falaê. Especialmente considerando que o livro é  escrito por uma mulher...

Mas aí vem a chave de ouro. Eles transam na praia loucamente, depois de uma briga, e obviamente não usam preservativo. E ela 'esquece' que não está tomando anticoncepcional.

Vocês adivinharam o que acontece, né?

Mas enfim. Um livro que se passa na nossa época e contém todos esses temas (virgindade, chauvinismo e burrice feminina) com certeza não me atrai. Quem sabe com outro desses livrinhos eu tenho mais sorte...

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Promoção, Selinhos e Sonho de Consumo

1º assunto indispensável: tem promoção no blog La Sorcière. Confira e participe!



2º assunto indispensável: ganhei ainda mais selinhos!

Esses dois eu ganhei da MPatricia, do blog Entre Páginas, da Tinkerbell, do blog My Imaginarium, e da  Cláudia, do blog Livraria Outubro. Obrigada!



Esse eu ganhei da Hérida, do blog Lendo nas Entrelinhas. Obrigada!!



Aí eu ganhei mais um MONTE de selinhos da Jojo, do blog Maré de Livros. =D




Eu deveria indicar esses selos para uma imensidão de blogs, mas como sou péssima nisso e detesto ser injusta, dedico-os a todos aqueles que são seguidos por mim!
Obrigada a todos que se lembraram do meu humilde blog!! =D


3º assunto indispensável: sonho de consumo!
Alguém compra pra mim???? =D São míseros US$ 279 e lê .doc, .pdf, e mais uma caralhada de formatos, cabe mais de 1.000 livros; além de vir com a tecnologia EInk, que faz com que o olho não se canse de ler numa tela artificial.
Eu querooooo......!!!!!


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Prisoner's Base



Prisoner's Base: tipo de brincadeira infantil em que cada um dos dois times tem uma base onde membros do time adversário são mantidos prisioneiros após serem 'pegos'.

Se você quer começar a ler Rex Stout, nada melhor do que esse livro.
Temos Nero Wolfe, se recusando a sair de casa, se relacionar com mulheres e a adiar seu encontro diário com as orquídeas na estufa do último andar.
Temos Archie Goodwin, seu ajudante, sempre pronto a ajudar mulheres que precisam - principalmente se elas forem bonitas.
Temos o Inspetor Cramer, da polícia de Nova York, irritado eternamente pela mera existência de Wolfe e sendo obrigado a pedir a ajuda dele por que os tiras não conseguem resolver o caso.

E temos a linda Priscila Eads, herdeira de uma renca de ações de uma empresa milionária, assassinada em sua própria casa após ter sua proposta recusada por Nero Wolfe.
Archie, é claro, sente-se responsável, e pede demissão a Wolfe para tentar descobrir o assassino da moça.

Mais um romance policial do gordo, prepotente e chato detetive Nero Wolfe, que é transformado em obra prima pela presença (e narrativa) do divertido, atlético e bonitão Archie Goodwin.
Imperdível.

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Death of a Doxy




Doxy: substantivo. Mulher imoral, amante (fem), prostituta, mulher sexualmente promíscua. Gíria: mulher de gângster. fonte: dictionary.reference.com

Archie vai fazer um favor ao seu colega de profissão Orrie Cather, e entra no apartamento abastado e rosa da amante dele, Isabel Kerr. Só que ela está morta, violentamente, e é claro que o principal suspeito é Orrie, que estava noivo de outra garota.

O grande detetive Nero Wolfe e seus ajudantes Saul Panzer e Fred Durkin decidem que Orrie não cometeu o assassinato, e decidem inocentá-lo.
Só que eles se deparam com duas dificuldades: 1) Isabel Kerr era mantida no apartamento rosa e abastado por um magnata da indústria (casado) que pagará fortunas para que seu nome não apareça nos jornais relacionado ao caso. 2) A irmã de Isabel também se recusa a deixar que todos saibam que Isabel é uma doxy, e não sabe se conseguirá seu intento ajudando Archie e Wolfe ou atrapalhando-os.

O livro é bem emocionante, já que o tempo todo os detetives estão numa guerra contra a polícia, para descobrirem a culpabilidade de outro elemento antes que Orrie seja definitivamente condenado.
Wolfe está em sua melhor forma, mesmo que sem um cliente pagante, Archie está divertido como sempre e a história seria só mais uma da lista se não fosse por uma personagem muito especial: Julie Jaquette, colega de Isabel nos bares onde dançavam.
O frescor e irreverência da moça deixam Wolfe tão desconcertado que ele chega a admirá-la, e quando isso acontece é sempre divertido.

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Krabat




Sim, é um livro juvenil. Sim, é uma fantasia. Mas com uma pegada sombria que faz falta na renca de livros do gênero que saem pela aí.

Krabat é um mendigo que sonha com uma voz chamando-o ao Moinho das Águas Negras. O menino, sem ter muito o que fazer da vida, já que é órfão e não tem onde morar, e passando frio e fome no inverno do norte da Germânia, atende ao chamado.

Chega ao moinho durante a noite, e se depara com o Mestre, um homem assustador com um olho faltando, que o recruta para ser um aprendiz de moleiro, junto com outros onze rapazes que já trabalham lá há tempos.
O trabalho é pesado, mas a comida é boa e a cama macia, e Krabat não tem do que reclamar.
Até que aos poucos vai percebendo que há muito mais naquele moinho do que supusera de início.
O lugar é uma escola de magia negra, seus colegas são iniciados e o mestre tem um pacto suspeitíssimo com um camarada conhecido como Padrinho, que aparece nas noites de páscoa e entrega sacos e mais sacos para serem moídos, numa moenda usada só para isso. Krabat não sabe o que há nos sacos, mas um dia encontra restos de alguma coisa que ele acha ser parecida com dentes e pedaços de ossos.

Krabat passa a aprender magia negra, o que faz com que a vida fique consideravelmente mais fácil.
Porém, ele descobre que, como todos os outros aprendizes, está preso ali para todo o sempre.
Agora, ele terá de arranjar um meio de sair dali, antes que ele seja o próximo aprendiz a morrer de forma misteriosa, como acontece todos os anos. 

Eu ADORO esse livro. É sombrio, inteligente, aterrorizante e divertido ao mesmo tempo. Procurem nas livrarias, o autor é alemão. 
O livro é genial.


Btw, essa capa é antiga, o nome do autor é hoje em dia grafado Otfried Preussler.

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Death of a Dude




Dude: substantivo. Pessoa criada em cidade grande; Oeste dos EUA - alguém do leste dos Estados Unidos que passa as férias em um rancho. fonte: dictionary.reference.com

Harvey Greve, o capataz da fazenda de Lily Rowan em Montana está preso, acusado de ter assassinado Philip Brodell, um dude que passava férias na região. Lily e Archie têm certeza de que Harvey não é culpado, mas todas as tentativas que fazem para descobrir a verdade são frustradas pelo desdém que os nativos sentem por Archie por ele ser um dude. As pessoas os tratam bem, afinal, Lily tem um rancho de gado. Mas mesmo ela não passa de uma dudine, e ninguém confia neles nem para responder uma pergunta simples como 'o que você estava fazendo ontem às 17h'.

Lily até tenta contratar um advogado local, mas nem ele acredita que Harvey seja inocente. Afinal, Brodell havia engravidado a filha de Harvey no verão anterior e saído fora total. A maior parte das pessoas do local acreditava que Harvey não só havia atirado em Brodell como também tinha feito a coisa certa.

Enquanto isso, Nero Wolfe, o grande detetive, chefe de Archie, se cansa da ausência do seu subordinado e faz o inacreditável: atravessa o país de Nova York até Montana ("a montanha veio até Maomé", diz Lily).
Será que o gordo detetive conseguirá ser bem sucedido onde Archie fracassou tão miseravelmente?

Eu gosto dos livros em que o Wolfe sai da toca e é obrigado a fazer coisas que ele detesta (como comer a comida dos outros ou apertar a mão de estranhos), e gosto mais ainda quando Lily está na parada. Claro que ela é rica, mas não foi isso que segurou o bonitão Archie (ela é o caso mais longo que ele já teve): ela é corajosa, independente e esperta. Até Wolfe admite a parte do esperta.

Achei engraçado como o conceito de dude pode ser substituído, aqui, pelo de paulista. Eu, pelo menos, já fui 'insultada' de paulista quando estava passando uns tempos no interior. Concordo, paulista, quando vai pro interior, fica com umas manias prepotentes e convencidas que são muito chatas. E vira 'xingamento', pra eles, lá. Que nem dude pros rancheiros que passam a vida inteira criando gado e sei lá mais o que, pra vir um ricaço do leste, comprar terra boa e ficar usando pra passar férias.

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Lock and Key




Peguei esse livro por causa da capa, que achei linda.
Quando li a 'sinopse', dizendo que a personagem principal sempre espera o pior das coisas para que assim nunca fique desapontada, achei isso tão familiar que comprei o livro sem pensar duas vezes.
Gente, eu sou MUITO assim!!

Enfim. A Ruby foi abandonada pela mãe e agora tem que morar com sua irmã mais velha, que não vê há quase dez anos.
A vida de luxo que a irmã lhe oferece só a faz se ressentir mais da nova vida, e Ruby se recusa a se entrosar na escola ou a deixar que se colega bonitão se aproxime, acostumada que está a ser abandonada pelas pessoas em quem confia.

Ok, eu não fui abandonada pela moms, mas tenho uma resistência a confiar nas pessoas e um pessimismo absoluto que vocês não imaginam. Além disso, o namorado que eu arranjei é beem parecido com o tal do Nate, o vizinho bonitão e otimista que está sempre sorrindo e é tão simpático que dá enjôo (sim, a Ruby fica enjoada no começo, assim como eu fiquei...).

Li o livro de uma tacada só; a narrativa fluente, a história e o romance entre os protagonistas, que é bem mais sensível (e plausível) que esses outros livros para teens pela aí garantem a emoção e a diversão desse livro.

Pode ser que seja por causa do tanto que eu me identifiquei com as situações narradas no livro, mas achei muuuuito legal. Indispensável. E olha que capa bonita!!

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Hábitos de Leitura


uma porcentagem dos meus livros:
os de baixo, li todos; os de cima, não li nenhum... 


Estava eu lá dando uma olhada nos blogs que eu sigo e me deparei com essa proposta mega da hora no blog Lost in Chick Lit , que é a de uma postagem coletiva (das quais nunca havia participado antes) do Vou de Coletivo! . A idéia, obviamente, é falar dos meus hábitos de leitura...

Minha mãe é leitora compulstiva e acho que herdei isso dela. Ou o fato de que aprendi a ler umas três vezes, entre uma mudança de escola e outra, contribuiu para o meu atual estado de dívidas livrísticas.

Só sei que minha mãe sempre lia pra mim à noite, antes de eu dormir, mesmo que só um pouco por noite. Aí eu ficava curiosa quanto ao resto da história e me aventurava sozinha por aquelas letras pequenas.
Daí pra frente foi a festa, com a minha mãe me entregando O Mago de Terramar aos dez anos e Capitão Blood aos doze, a Isabel me obrigando a ler O Senhor dos Anéis na sétima série e o meu pai me emprestando os livros de ficção científica dele contribuindo para a minha atual gama de gêneros favoritos.

Livro pra mim é pra ser levado a qualquer lugar. Livro 'grande' é livro ruim, porque não dá pra levar na bolsa. Já mencionei por aqui que gosto de ler no ônibus, na aula, no banheiro, na cozinha... Não tenho nenhum problema em deixar meus livros abertões em cima da mesa enquanto procuro um marcador. Meus livros ficam meio detonados, mas pra mim isso só demonstra como são queridos!
Eu tinha amigos que sempre checavam o número de páginas do livro antes de ler, pra ver se era muito comprido. Eu faço isso às vezes, porque ADORO um livro comprido! Dá a impressão de que vou ter muito tempo lendo aquilo, curtindo a história...
Como o meu hábito de levar os livros na bolsa é meio incongruente com minha paixão por livros grandes, acabo sempre, quando posso, comprando pocket books, que, além de serem mais leves, acabam sempre sendo MUITO mais baratos...

Com esse hábito de ler em qualquer lugar, só agora, depois que li os livros do Drizzt emprestados do namorado sob a condição de que eu não os abrisse mais do que uns vinte centímetros, pra não foder a lombada (isso pra mim já é muito exagero), comecei com o hábito de enfiar os livros numa folha plástica antes de levá-los na bolsa: isso detém, mesmo que por apenas alguns dias, a desintegração sistemática por que eles passam nas minhas andanças pela cidade.

O meu problema, enfim, é que gasto muito com livros. Tipo, muito mesmo. Sou compradora compulsiva, daquelas que fazem uma compra monstra a cada fim de semana. Já tive brigas homéricas com o namorado porque leio demais e não dou atenção a ele (ele só me aturou durante o sétimo Harry, em que se divertia cronometrando quanto eu demoro pra ler uma página - um minuto...), minha mãe proibiu livros durante as refeições, já que não paro de ler nem pra comer.
Minha estante atual tem pelo menos uns 400 livros, dos quais 100 ainda não li. E ontem mesmo passei no shopping e voltei - sem saber como... - com uns três livros na sacola de compras.

Meu caso é sério. Nunca cheguei a gastar mais do que ganho, mas minhas roupas estão numa situação deplorável, deixo de almoçar algumas vezes e estou negociando minha mensalidade na faculdade porque prefiro gastar com livros do que com meras superfluosidades como uma calça jeans nova porque essa está rasgada ou um almoço. Afinal, pular almoço emagrece, certo?

Possessiva como sou, prefiro não emprestar livros. O Sobrinho do Mago foi pra Julia no segundo colegial e até agora não voltou; O Guia do Mochileiro das Galáxias está há menos tempo com o Lutero, ele mora aqui do lado de casa e desconversa toda vez que peço o livro de volta. Estou com um certo medo, já que da última vez que emprestei um livro pra ele (meu preciosíssimo Capitão Blood, encontrado em um sebo e sem edição em português) ele devolveu o livro com a capa arrancada e depois colada tortamente com um durex vagabundo: foi a sobrinha que rasgou a capa, e o irmão mais novo que tentou resolver colando tudo torto.
Depois disso, hemos de convir que tenho uma certa aversão a emprestar meus livros.
Isso porque, quando compro um livro, não é pra ler. Pra isso existe biblioteca. Em algum ponto da minha vida, não sei como, passei a adquirir o péssimo hábito de comprar livro que nunca tinha lido. Sim, porque antes, eu lia o livro, emprestado ou bibliotecado, e se, e somente se, eu gostasse, juntava um dinheirinho e comprava pra por na minha prateleira. Porque assim como com filmes, livro que eu gosto eu releio. Várias vezes.
Só que, como mencionei, passei a comprar livros que eu não tinha lido antes. E aí, danou-se.

O interessante é que o que eu mais gosto dos livros é recomendá-los a outras pessoas. Com minha aversão a emprestimos, acabo usando dos métodos mais bizarros: eu leio trechos em voz alta pras crianças com quem trabalho, uso trechos dos meus livros favoritos nas aulas que dou e sempre que posso me metamorfoseio em contadora de histórias.
Na verdade, o blog inteiro acabou surgindo dessa vontade não tão estranha de compartilhar com os outros o prazer que tenho com a leitura.
E avisá-los dos perigos do vício...

3

Kissing Coffins




Alguém já leu O Pequeno Vampiro? É uma série de livros escrita por uma alemã, Angela Sommer Bronderburg. Ela fazia sucesso entre a molecada bem antes da Meyer inventar os vampiros dela.
Pois bem, esse livro me lembrou do Pequeno Vampiro, que depois eu comento aqui. Acontece que toda a graça do primeiro volume da série Vampire Kisses acabou nesse, pelo menos pra mim. A paródia dos livros românticos melecosos, a heroína não convencional e o herói misterioso são completamente estragados nessa história, em que Alexander, o amor da vida de Raven, some, deixando-a apaixonada e sem chão.

É claro que ela vai encontrar um outro vampiro adolescente, malvado, porém sedutor, que quer acabar com o Alexander e ficar com Raven só pra ele. E é claro que aparece uma vampirete gostosinha que é um antigo amor do Alexander, pra colocar fogo nas coisas.

Clichês à parte, esse livro me irritou profundamente primeiro pelo número de vezes que a personagem grita "Alexander?!" toda vez que vê uma sombra se movendo. Segundo porque, da gótica bem humorada e 'contra o sistema' do primeiro livro, ela virou uma menininha apaixonada chata pra cacete.
O terceiro ponto é uma controvérsia. Não descobri ainda (e nem sei se faço questão de descobrir) se os vampiros da Elle Schreiber são uma espécie à parte, com crescimento e maturidade diferentes dos humanos, ou se ela segue a 'tradição' da mitologia vampiresca, em que o povo 'vira' vampiro depois de um ritual sei lá como que inclui ter o seu sangue sugado por um vampiro. Nesse último caso, o esquema é o seguinte: um cara que virou vampiro há trezentos anos VIVEU trezentos anos, e continuar agindo como se tivesse 17 demonstra uma incapacidade mental incrível, falaê. E, sinceramente, tentar comer uma mina de 16 é pedofilia ao extremo. Irghti.

Se a mulher seguir o primeiro esquema, o de que na verdade o Alexander seria um 'vampirinho' que nasceu vampiro, - e é isso mais ou menos que o livro dá a entender - as coisas estão muito mal explicadas. Tipo, completamente subestimando os leitores mesmo.
Eu, que me apaixonei por vampiros lendo Anne Rice e já me embrenhei no mundo de Vampiro - A Máscara e similares - onde a regra é ter tudo MUITO bem explicado - acabei ficando de saco cheio de ficar tentando adivinhar qual era a desse livrinho.

Uma coisa é escrever histórias bobinhas visando um público adolescente. Outra, completamente diferente, é deixar pontos soltos (muito soltos!) na história dos personagens por que 'o público nem vai sacar'.
Além disso, e só pra terminar. Porra, tava tão legal o primeiro livro! SEM romances melecosos, SEM vampiros de 17 anos, SEM amor maior que a vida entre pessoas que não têm discernimento nem pra comprar roupas. E aí, nesse segundo volume, fodeu tudo. Virou livro de crepusculete.
Perda de tempo.

5

Vampire Kisses




Eu acho que deve ser assim. A mulher chega pro editor e fala: "tenho uma história ótima, de uma adolescente que se apaixona por um vampiro". E o editor diz pra autora, "a gente vai dar uma olhada", e fala pros colegas, "isso não vai vender nunca. Joga numa gaveta aí."
Até que um dia um editor mais inteligente pouquinha coisa resolve dar uma chance ao gênero "romance-teen-vampiresco" e o restultado está aí pra todo mundo ver: a série chatonilda Crepúsculo, que não me digno a comentar porque mal passei da metade do primeiro livro. Juro que ainda vou ler pra falar mal. hehehe

Mas enfim. Aí, os editores espertalhões pegaram tooodos aqueles livros encalhados do mesmo tema escritos por autoras diferentes e jogaram no mercado o mais rápido possível, pra vender na mesma onda de Crepúsculo. Ou vocês não repararam na similaridade entre as capas de Crepúsculo e Marcada?
E por aí vai, com a já mencionada Marcada, os da Sookie Stackhouse, que são para um público mais adulto e que estão na minha lista de aquisições, a série Vampire Diaries, que já está sendo traduzida, a série Vampire Academy e mais uma cambada de outros.

Aí, pra não ficar de fora, resolvi dar uma olhada nesse Vampire Kisses, que me pareceu um pouco mais divertido que os outros justamente porque tinha uma pitada a mais de comédia.
Raven é uma menina gótica de dezesseis anos que odeia viver na cidadezinha feliz, colorida e suburbana de menos de 10.000 habitantes onde nasceu.
Até que uma família misteriosa se muda para a mansão abandonada de uma baronesa romena, e começam os rumores de que eles são vampiros. Louca para não só conhecer um, como também para se tornar uma, Raven faz de tudo para conhecer os arredios habitantes da mansão, só para depois conhecer o homem dos seus sonhos: Alexander, um jovem 'vampiro' que tem tudo a ver com ela.

O livro é muito divertido pelos seguintes quesitos: Raven é indepentente, rebelde e 'contra o sistema', mas tem um ótimo relacionamento com os pais - o que é uma coisa triste para qualquer gótico, vamos combinar. A narrativa em primeira pessoa é interessante porque a autora faz com perfeição a voz de uma adolescente de dezesseis anos: por um lado, só quer saber de amor perfeito e verdadeiro - mesmo que, no caso de Raven, esse amor verdadeiro fosse noturno e em um cemitério - e em outros momentos, age com uma criancice incrível quando resolve brincar de detetive e descobrir se Alexander é mesmo um vampiro.
No fim das contas, é um livro divertido, que é quase uma paródia do clima pesado à la Morro dos Ventos Uivantes de Crepúsculo. Mas, se você se irrita com livros para meninas adolescentes, não leia.

10

Daughter of the Desert



Tireera é uma cidade no deserto. Os Virsat são a raça superior, e os Tirdar são considerados animais, utilizados como escravos.

Forentel é filha do general do exército Virsat e descobre que sua mãe era uma Tirdar. Querendo esconder esse fato, seu pai quer entregá-la em casamento a um aliado dele, que tem idade para ser pai de Forentel.
Ela foge.

O príncipe Erba de Tireera tem orgulho de ser um Virsat, mas é obrigado a fugir da cidade no deserto por que seu irmão mais velho, depois de assassinar o rei seu pai, resolve que Erba é perigoso para seus planos e resolve matá-lo.

Forentel descobre que é uma curandeira Tirdar; que é a Delass, que as lendas dizem que será capaz de unir os Virsat e os Tirdar; e que tem uma habilidade Tirdar de ver o passado.

Enquanto ela e o príncipe, junto com o mestre professor dele, Filfa, vão em busca de uma cidade lendária que ninguém tem certeza que existe, ao sul, a mando de uma profeta Tirdar, a mãe adotiva de Forentel faz planos para que a cidade de Tireera seja um lugar melhor quando sua filha 'do coração' voltar.

Na viagem para o sul, o trio passa por diversas provações, enquanto Forentel vai descobrindo que tipo de poderes tem.


O livro nem seria tão irritante se não fossem os personagens principais: ingênuos, estúpidos e chatos, o prícipe Erba e Forentel deixam o leitor numa irritação sem fim.
Filfa, o tutor do príncipe, é uma pilha de preconceitos e prepotência. 
A única personagem legal é a mãe adotiva de Forentel, e os momentos em que a autora se digna a descrever o que está acontecendo em Tireera enquanto os valorosamente chatos heróis viajam para o sul são as melhores partes do livro.
Não sei se a autora quis demonstrar a dúvida que fazia parte da personalidade de Erba e Forentel: ele perdera tudo o que tinha e ela acabara de descobrir que era uma "aberração" - fruto de uma união entre Tirdar e Virsat. Teoricamente, a tal jornada para o sul seria uma jornada de auto descoberta por parte de Forentel.
Enquanto isso, Filfa trata-a como escrava  e Erba fica "confuso" porque começa a gostar dela.
Outros personagens coadjuvantes entram e saem, e fica a impressão de que era para eles serem personagens complexos e com alguma profundidade.
Mas, assim como com os protagonistas, o que acontece é que os personagens ficam simplesmente chatos. 
A gente continua a ler pela balada, esperando que o fim de alguma forma resolva as coisas.
Mas não resolve. O fim é estúpido e o livro fica sendo uma perda de tempo, apesar da idéia original e da ambientação interessante.
O pior é que nem posso reclamar muito, já que comprei o livro, usado, por R$ 8,00.
Só mais uma coisa. Por que raios tem um gato selvagem na capa, se o animal que acompanha Forentel durante 90% do livro é um LOBO?

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Selinhos, Livros Caros! e Cartão Vermelho

É a vez de outro post com vários assuntos.
1.


Ganhei mais selinhos!
"Este Blog Acerta em Cheio" eu ganhei da Tinkerbell, do blog My Imaginarium. Obrigada!!

"Este Blog Vicia!!!" eu ganhei da Jojo, do blog Maré de Livros. Obrigada!!

Eu nem sei mais quantas pessoas eu tenho que indicar pra receberem os selos, mas fica então que quem for seguido por mim considere-se 'selado'. =D



2.

Livros caros!
O outro assunto é o seguinte. O Marcos comentou lá na minha lista de aquisições sobre o fato de eu ler fluentemente em inglês. Eu quero dizer então que isso foi por uma questão de necessidade!

Vocês já viram os preços das versões nacionais dos best-sellers norte-americanos?
E outro dia, que eu vi um O Último Ogro (da italiana Silvana de Mari) por R$ 70,00?? Eu comprei O Último Elfo, primeiro livro da série, traduzido para o inglês, por R$ 17,00. Faz algum sentido?

As duas únicas justificativas que podem existir para esse absurdo são: a) tem que pagar a equipe da transposição (tradudor, revisor, designer da capa etc) e b) os livros em português são de melhor qualidade.
Pois então: sabendo-se que os tradutores, revisores e que tais recebem POR MÊS e não por livro, é de se esperar que a editora brasileira tenha o mesmo gasto que uma editora norte-americana. Até parece que 1) os tradutores recebem fortunas pelas traduções (não recebem) e 2) os autores recebem fortunas por cada livro vendido (não recebem - recebem sempre a mesma porcentagem).
Ou seja, tirando esse argumento, só sobra o fato de que os livros no Brasil são de material de melhor qualidade: as páginas são de um tipo melhor de papel, as capas são mais resistentes, a encadernação é mais bem feita.



E alguém já fez uma pesquisa de mercado pra ver se os brasileiros realmente preferem os livros assim? Se essa pesquisa foi feita, alguém me avisa.
Eu, no entanto, prefiro meus livros mais baratos e mais fáceis de manejar. Agradeço aos céus pelos livros americanos saírem sempre com uma edição 'mass market paperback': é um formato de encadernação de livro que é pequena, geralmente sem ilustrações e barata.
Até o Mateus Shirts, um americano brasilianista que escreve pro Estadão reconhece: o brasileiro em geral leva o livro muito a sério. Os paperbacks são feitos pra serem lidos em qualquer lugar; os livros editados no Brasil são feitos para serem revenrenciados, polidos e colocados numa prateleira especial, para serem lidos em um "momento leitura" em que todo o resto é deixado de lado.
Que saco, eu quero ler meus livros onde eu quiser: ônibus, metrô, sala de aula, refeitório, de pé na fila do banco... Os livros editados no Brasil raramente permitem essa manipulação, já que todos são lindos, bem encadernados... e pesados.
E caros.
Por isso me obriguei a aprender a ler em inglês, me viro lendo em espanhol e estou tentando ler em francês. Economizo, leio a versão original e ainda por cima viro poliglota.

3.

Cartão Vermelho!
Recebi a brincadeira da Lilian, do blog Livros, Bate Papo & Cia. e da Hérida, do blog Lendo nas Entrelinhas.
A idéia é listar dez coisas para a qual eu daria um cartão vermelho.
Aí vai a lista dos indivíduos e atitudes que merecem um cartão vermelho na minha concepção:

1. Torcedores do Palmeiras quando tem jogo no Parque Antártica. Que saco! No dia do jogo TODO o bairro fica travado, não consigo ir pra facul, não consigo voltar pra casa, não consigo ir pra balada e não consigo jogar sinuca: minha vida acaba! Eles ficam no meio da rua e chutam seu carro se você tenta passar! Se um dia eu parar de atualizar o blog depois de um jogo, tenham certeza de que eu atropelei um e deu bosta.
Quando o jogo é em outros lugares eles nem me incomodam muito, viu.

2. Gente que se acha o Dançarino das Américas e vai pra pista se exibir, pisando nos pés e dando cotoveladas nas costas alheias. Vai se divertir incomodando os outros assim na puta que o pariu! Pior que isso só quem se acha o power dançarino e começa a dançar no caminho pro banheiro. E aí, quando você fala: "aqui não é a pista!", porque quer passar, a pessoa responde, "ah, mas a pista tá cheia..."
Tipo, o cara total admite que não tem capacidade de compartilhar uma pista de dança com mais de dois casais. Então não paga de "danço pra caralho". Saco.

3. Gente que não sabe a diferença entre RPG, interpretação de papéis, e narrativa assistida. Poucas coisas são piores do que montar um personagem, fazer a ficha bonitinha e depois só ficar assistindo o GM narrando o que acontece com os NPCs.
- Ahm... quero abrir a porta.
- Não dá.
- Quero explodir a janela.
- Não dá.
- Quero escalar o teto.
- Não dá.
- Porra, então vamos ficar só esperando alguma coisa acontecer!
- Bom, felizmente, o NPC Raven tem a senha do computador do vilão e consegue abrir as portas. Agora todos vocês devem a vida a ele.
Prefiro não jogar.

4. Povo no busão que insiste em ficar no banco do corredor e não dá passagem. Se você tá na janela e quer sair ou se o banco da janela vagou e você quer entrar, o indivíduo dá uma alterada mínima na posição dos joelhos, se achando O Solícito. Sou só eu que, quando não quero sair do banco do corredor, LEVANTO pro outro passageiro sentar ou sair?

5. Atendente de livraria que responde, automaticamente: "esse não temos" para qualquer livro que eu vá perguntar se tem. É óbvio que a criatura não só não tem idéia do livro que estou falando como está pouco se lixando pra minha compra.
Os atendentes de sebo, que falam "procura aí", são muito mais honestos.

6. Mulher que beija mulher na balada pra chamar a atenção de homem. Tem tantos outros jeitos de chamar a atenção da rapaziada, né não, meninas?
Mas é só rolar um convite de "vamos sair nós duas então" que vem a resposta: "Não, podem achar que eu sou lésbica". Porra...


7. Gente super legal. Concidência ou não, são essas mesmas pessoas super legais que vêm me dizer que eu tenho cara de mal humorada. Gente super legal está sempre sorrindo, sempre dando abraços e beijinhos e sempre te chamando de "amiga", mesmo quando tem tanta intimidade com você quanto com a Claudia Raia.

Eu sei, elas não fazem por mal, estão querendo ser simpáticas e tal. Mas não consigo evitar. Não gosto, me irrita, dá ânsia.
- Ai, amiga, que saudades! Você sumiu!
- Sumi nada, eu só vim justamente nos dias em que você não estava, olha que coisa.

8. Gente que acha que nerd = loser. Tudo bem, isso inclui quase minha família inteira. Mas eles vão ver só quando nós terminarmos de dominar o mundo.

9. Povo que não sabe dirigir e usa duas faixas da rua. Poucas coisas me irritam mais no trânsito. A tia vê o caminhão na faixa da direita, fica com medo do retrovisor raspar e acha que uma distância segura pro seu carro sport é ficar a três metros de distância - ocupando, logicamente, as faixas do centro e da esquerda. Gente que demora anos pra sacar que o farol abriu e vai engatar a primeira também é um pesadelo.

10. Homofóbicos. Sabe gente que tem preconceito? De verdade, daqueles de não querer conviver com determinado tipo de gente, deixa de convidar para eventos sociais, deixa de cumprimentar? Sou assim com homofóbicos. Pode até ser um leve preconceito, do tipo, "não usa tal roupa por que assim você parece um sapatão". O preconceito imbutido na frase (dependendo de quem a diz e da maneira como foi dita) simplesmente faz com que eu deixe de considerar a pessoa.
Já me disseram que sou muito radical e que todo mundo tem o direito de ter dificuldades em aceitar as escolhas dos outros. Afinal, preconceito hoje em dia é crime, então a galera não é explícita: é tudo nas entrelinhas, à boca pequena, mascarado de liberalidade: a maior parte das pessoas não percebe, nem mesmo o próprio "preconceituoso".
Quando eu percebo, a pessoa pode ser minha melhor amiga. Aviso o que aconteceu. E acabo me afastando.







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The Cipher



O que eu achei mais legal nesse livro, além da protagonista, que tem uma mania bastante familiar de ser grossa com todo mundo, foi a ambientação de fantasia nas navegações: o mundo de Crosspointe se assemelha muito à Inglaterra do século XVIII, mas com a magia fazendo parte da vida cotidiana.

Lucy Trenton é tabalha na alfândega de Crosspointe - uma cidade que depende inteiramente do porto.
Além de ser uma profissional hiper competente, ela também é membro da família real, os Ramplings, que, apesar te terem um enorme grupo de opositores, estão no poder desde a fundação da cidade.

Só que Lucy tem um segredo ruim e outro pior. O ruim é que ela é capaz de sentir a magia. Ela identifica onde está e quão poderosa é, apesar de não conseguir ver para que serve.

O pior dela é que ela coleciona ciphers - artefatos criados por Errol Cipher para destruir seus inimigos. Eles vêm em diversas formas, mas quando pegam alguém, nunca mais saem até que o indivíduo sofra uma morte terrível. Todo cipher encontrado tem de ser entregue aos magos, mas Lucy não consegue evitar, e toda vez que encontra um, pega e guarda.
Agora alguém descobriu seu segredo e a está chantageando - ou ela faz o que o cara está pedindo, ou ele vai divulgar toda a história dela nos jornais, arruinando não só a ela mas também toda a família real, cuja popularidade já não vai muito bem.

Ao mesmo tempo, Lucy é pega por um cipher e agora tem certeza que é só uma questão de tempo até que ela seja consumida pelo artefato.
Então, além de ter de lidar com o chantageador, os ciphers que ela tem escondido e o que está instalado nela, uma conspiração contra a família real e uma invasão dos temíveis Jutras, um atraente capitão de navio sem nenhum escrúpulos parece muito interessado nela. Ou nos privilégios de acesso que ela tem, como fiscal da alfândega.
Certa de que não vai durar muito, por causa do cipher, Lucy decide ignorar seus avisos de bom senso ao se envolver com um cara em que obviamente não pode confiar. Ou pode?



Um livro muito divertido, bem escrito e emocionante. Os personagens são bem construídos, a história envolvente e o ambiente fantástico muito bem imaginado.
Mal posso esperar pelos outros volumes chegarem...

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