24/05/2013

Trouble In Triplicate



Essa é mais uma coletânea de contos protagonizados pelo gordo detetive Nero Wolfe e seu enérgico ajudante Archie Goodwin. Eu gosto muito do primeiro conto, e tenho minha birra os outros dois que eu já explico.

Before I Die é sobre um mafioso que quer que Wolfe o ajude com sua filha - a falsa, que ele colocou morando com ele para despistar seus inimigos e agora o está chantageando, e a verdadeira, que não sabe que é filha dele e com quem ele de fato se importa.
É um dos meus contos favoritos porque coloca Wolfe numa posição complicada - na briga entre duas facções da máfia - por um motivo típico dele: há uma escassez de carne na cidade e ele acredita que o mafioso possa conseguir carne pra ele.

Help Wanted, Male - esse é um dos contos mais insatisfatórios de Wolfe. Primeiro ele se recusa a ajudar um camarada que recebeu uma carta ameaçando-o de morte, e o cara é encontrado morto logo depois. Daí Wolfe recebe uma carta igual e resolve contratar um sósia para se proteger. SPOILER. E o sósia é o assassino! Wolfe joga na coincidência que o assassino fosse parecido com ele - no tamanho, pelo menos - a ponto de responder o anúncio no jornal, mas foi uma coincidência das menos prováveis, e isso deixou o conto meio sem graça. FIM DO SPOILER.

Instead of Evidence começa bem, com Archie comentando que tem preconceito contra homens que se chamam Eugene - e com um cliente com esse nome pedindo que Wolfe mande sua crença de que seu parceiro comercial quer matá-lo à polícia caso ele seja encontrado morto.
Pois bem, na mesma noite o cara de fato é encontrado morto, mas o acusado por ele algumas horas antes parece estar fora do caso. A arma do crime: charutos explosivos carregados com protótipos de mini-bombas roubados do exército.
O problema é que o conto acaba do jeito que eu não gosto.

É uma coleção decente de contos de Wolfe, mas pende para o lado errado por causa dos dois últimos contos. Claro que se você curte as histórias do autor é bem provável que você vá atrás desse livro só pra completar a coleção... :)

Título Original: Trouble in Triplicate (1949)
de Rex Stout (EUA)

20/05/2013

Might As Well Be Dead



Essa história começa com uma das melhores premissas da série.
Nero Wolfe é visitado por James R. Herold, um milionário de Nebraska que quer encontrar seu filho Paul. O garoto foi expulso de casa anos antes por ser suspeito de ter roubado dinheiro da firma do pai, e agora que descobriram o verdadeiro culpado, o velho quer ver o filho novamente.

Com a teoria de que pessoas que querem mudar de nome o fazem utilizando as mesmas iniciais, Wolfe começa a procurar Paul Herold com um anúncio no jornal dizendo que "foi descoberto que P.H. é inocente do crime do qual foi acusado".

Só que existe um tal de Peter Hays que está sendo julgado por assassinato, e a polícia, a imprensa e o advogado de Peter Hays ficam encucados com o anúncio de Nero Wolfe - que é claro que nega a relação.

Mas Archie Goodwin, o ajudante enérgico de Nero Wolfe, acha que aquilo tudo são conicidências demais, e resolve ir até o julgamento dar uma olhada no acusado. E aí duas coisas acontecem: o júri resolve que Peter Hays é culpado e deve sofrer a pena de morte, e Archie decide que a semelhança entre Peter Hays e a foto de Paul Herold é demais para ser descartada.

O advogado de Peter Hays, que acredita que seu cliente é inocente, pede a Wolfe uma explicação para o anúncio e para a presença de Archie no julgamento, e Wolfe abre o jogo, explicando sobre o filho sumido do milionário. Tanto o detetive quanto o advogado percebem uma vantagem na situação: se Wolfe conseguir descobrir o verdadeiro autor do crime do qual Peter Hays é acusado, é bem capaz que James R. Herold financie-os quando tentarem recorrer da decisão na corte.

Aí começa a caça ao assassino, e Archie, junto com os outros ajudantes esporádicos de Wolfe, tentam descobrir coisas que a polícia não foi capaz de achar.

Peter Hays é apaixonado por Selma Molloy, casada com Michael, um homem mais velho que é violentamente ciumento. Uma noite, Selma sai com amigos, mas Peter recebe uma ligação dizendo que "ele está começando a bater nela, venha logo" de uma voz desconhecida. Quando ele chega na casa dos Molloys, encontra Michael morto com um tiro e um revólver jogado no chão. Enquanto isso, a polícia recebe uma ligação anônima de que tinha havido tiros no apartamento dos Molloy, e quando os tiras vão verificar, encontram Peter saindo do apartamento com a arma no bolso.

A teoria do advogado de Peter é que ele acha que quem matou Michael foi sua esposa Selma. Mas Selma acha que Michael foi morto por Peter. Peter se recusa a colaborar com a polícia e com seu advogado pois não quer incriminar Selma e prefere ser enforcado a vê-la presañ. Por isso a frase, "might as well be dead": algo como "tanto faz eu estar vivo ou morto". Tanto Peter quanto Selma dizem a mesma coisa, pois acreditam que o outro é culpado do crime.

Já Wolfe começa a partir do ponto de que o assassino quis não só matar Molloy como deliberadamente colocar Peter Hays como culpado, e por isso sabia de antemão que Selma estaria fora de casa.
E quando esse raciocínio é seguido, logo a coisa fica mais séria: após o início das investigações, Johnny Keems, detetive independente contratado por Wolfe para o caso, vai interrogar os amigos que estavam no teatro com Selma.
E no dia seguinte é encontrado morto, tendo sido atropelado por um carro. culpabilidade de Peter Hays menos certa.

Se por um lado isso faz com que a culpa de Peter Hays seja mais duvidosa, por outro coloca um perigoso assassino à solta no meio do caso, o que deixa as coisas mais complicadas.
Uma caixa cheia de dinheiro, uma empregada gananciosa e uma bela moça que faz Archei balançar são outros elementos interessantes desse excelente policial.

Wolfe e Archie estão em sua melhor forma - a "dedução final" do gordo é uma obra-prima - e o final é do tipo que eu gosto. Com a trama impecável, os personagens interessantes e o humor característico da narrativa de Archie, esse é um dos livros imperdíveis da série.

Título Original: Might As Well Be Dead (1956)
De Rex Stout (EUA)

17/05/2013

Dresden Files Book 13: Ghost Story



A maioria dos livros da série que segue as aventuras do mago Harry Dresden pode ser lido sem seguir ordem alguma. Esse, no entanto, precisa ser lido após o 12º volume da série, Changes.
Contém spoilers!!

E o autor teve a cara de pau de dizer que o livro anterior NÃO terminou num momento tenso.

Então vejamos.
Ao fim do livro 12, Changes, Harry estava na seguinte situação: a) tinha acabado de eliminar todos os vampiros da Corte Vermelha da face da terra; b) tinha feito um pacto com a rainha maligna das fadas para se tornar seu monstruoso lugar tenente; c) tinha assassinado sua ex-namorada e mãe de sua filha num ritual tenso; d) finalmente tinha se declarado para sua colega Murphy; e) tinha tomado uma bala no peito e caído nas profundezas do oceano, perdendo a consciência.
Fim do livro.

Não fosse a espera longa entre um livro e outro - já que demorei pra conseguir Changes, que demorou pra chegar em paperback aqui no Brasil e depois tive que esperar tanto Ghost Story ser lançado nos Estados Unidos quanto aparecer no Brasil (estou esperando o livro no Brasil até agora; desisti porque o livro consta como esgotado na editora e peguei um e-book) - minha ansiedade estava no máximo.

Já meio que dava pra adivinhar o que o livro seria, já que o personagem morre no livro anterior e o nome desse é "história de fantasma".
E durante o próprio livro já saquei uma parte do final, já que os aliados de Harry dizerm algo sobre "e o que aconteceu com o seu corpo?" e tal.
Mas infelizmente o livro não me convenceu.

Harry tem a possibilidade de voltar para Chicago, como fantasma, para descobrir quem é seu assassino, por causa de uma irregularidade na sua morte.
Aí ele passa o livro inteiro tentando se acostumar com a vida de fantasma, salvar seus amigos de um coincidente fantasma maligno que quer dominar o mundo e chorando as consequências de suas ações.

Não que o livro não seja empolgante.
É.
Harry continua o mesmo, com uma pitada de sabedoria a mais por estar fora da ação e poder refletir sobre tudo o que está acontecendo sem se envolver. O que me incomodou foi a história.
O "assassinato" foi extremamente bem bolado, com certeza. Não chegou exatamente a me deixar super espantada, mas foi uma das melhores partes do livro.
Mas aí.
Como que o Harry pôde fazer um troço desses com a Molly?
Aliás, como que o Harry  pôde levar a Molly para um esquema tão tenso quanto Chichén Itzá (ou qualquer outro jeito que escreve)?
Aí ele vê as consequências de suas decisões e fica choramingando.
Mas beleza. Achei interessante ele ficar remoendo o que fez quando estava vivo, afinal que mais um fantasma poderia fazer, certo?
Ah, é mesmo, ele pode interagir com outros fantasmas, então é claro que tem um fantazma fodão por perto para que ele possa fazer alguma coisa.

Então passando por cima do fato de que achei a história menos movimentada do que as outras - já que temos também Harry revivendo suas memórias - tem o fato de que o final do livro não faz o menor sentido.
Contém spoilers!
Se o esquema que Harry combinou com Molly e Kincaid era pra enganar Mab, então qual a utilidade da história toda, se no final Mab consegue o que quer de qualquer forma? Se Uriel sabia de tudo - e duvido que não soubesse, dado seu poder praticamente infinito - qual o sentido de mandar Harry voltar como "fantasma" para descobrir um negócio que não faz a menor diferença? E, por fim mas não menos importante, WTF foi aquela história de mentiras, trapaças e dois canos fumegantes irregularidades por influências sobrenaturais?
Durante todos os livros, praticamente, Harry foi influenciado por dezenas de presenças sobrenaturais.
E além disso. Se não fosse o tal anjo caído sussurrando no ouvido dele... Até parece que ele pensaria duas vezes antes de se entregar a Mab para salvar sua própria filha.
Não faz sentido.
Fim do spoiler.

Eu entendo que a história de Harry é super complexa; entendo inclusive que o autor quisesse fazer um livro com o Harry como fantazma e precisava de uma justificativa. Mas essa história não convence e não fecha; nunca pensei que fosse dizer isso de um livro do Harry, mas é fato. Apesar de toda a ação, e de todos os personagens queridos, e das partes legais que incluem a luta contra Capricorpus, Molly super powerful e o simpático Fitz, um dos poucos personagens novos na trama, Ghost Story não é satisfatório.

Resta esperar pelo próximo livro, que não tem sequer data de lançamento, pra ver se melhora.
Uma pena.

Título Original: Ghost Story (2011)
de Jim Butcher (EUA)
Série Dresden Files Livro 13

14/05/2013

Puxa, Qual Bruxa?



Arrimã, O Grande Mago do Norte, vai se casar. Ele está cansado de ser o responsável pela magia negra, pela destruição e pelo desespero, então ele precisa de uma esposa e como consequência um filho para que ele possa ter um substituto e portanto se aposentar.

Como ele nasceu em Toca-da-Raposa, ele resolve escolher uma bruxa daquela localidade.

O Sr. Guiamelhor, seu secretário, é secretamente apaixonado pelos concursos de Miss Universo, então cria uma espécie de concurso de bruxas, onde a responsável pelo feitiço mais maligno se casará com Arrimã.

Beladona é uma bela bruxa esbelta e loira que teve a infelicidade de ter nascido uma Feiticeira Branca. Os animaizinhos a seguem por toda parte, ela tem perfume de rosas e jasmim, e por mais que ela se esforce, só consegue fazer magias de cura e felicidade.

Ela se sente muito deprimida por não ter uma chance com Arrimã, a quem ela secretamente admira muito. É só quando ela conhece Pirata, a minhoca de estimação do garoto órfão Terrence, que ela parece ter uma capacidade inédita para a magia negra.

As outras bruxas de Toca da Raposa podem não estar apaixonadas por Arrimã, mas nem por isso deixam de se preparar para o evento.
Há Mabel Naufrágio, que é meio sereia. Sua mãe, no entanto, não era bem o tipo de seria das lendas, e, nas palavras da autora "se parecia muito com um ônibus de costas". Mabel anda com um broche de lesma de plástico e seu polvo de estimação num balde.
Há também as Gêmeas Gritador, altas, fumantes e histéricas, que vivem brigando para ver qual galinha é a familiar de qual.
Mãe Sanguinária tem mais de noventa anos e anda com uma lata de vermes que se transformam em moscas - poderosas agentes de magia negra.
Esther Forragem tem um porco de estimação e anda com botas de caubói cheias de esterco na sola.

Enquanto Beladona e Terrence tentam pensar na magia mais negra possível para que ela ganhe a competição, e Arrimã dá uma olhada na situação das bruxas de Toca da Raposa e pensa seriamente no suicídio, uma nova competidora aparece. Madame Olímpia, uma bela feiticeira maligna que está muito mais interessada no dinheiro e poder de Arrimã do que no próprio mago, certamente será uma excelente competidora que poderá por tudo a perder.

Gente, a primeira coisa que precisa ser dita sobre Eva Ibbotson é que ela escreve bem DEMAIS. Ela cria atmosferas como ninguém, personagens que você quer abraçar depois da primeira linha e ainda por cima ela é MUITO ENGRAÇADA. Querem ver?

"Lester era um ogro; um homem imenso, de movimentos vagarosos, com músculos do tamanho de bolas de futebol. Como a maior parte dos ogros, tinha só um olho no meio da testa, mas, para não aborrecer as pessoas, costumava usar um tapa-olho preto - assim, pensavam que tinha dois olhos. Antes de vir a ser criado de Arrimã, Lester engolia espadas em uma feira e ainda gostava de tragar um sabre ou florete que não estivesse fazendo falta. Aquilo o acalmava." pp. 9-10

 ou então:

"Quem vivia na banheira da srta. Naufrágio era, é claro, da família. A família são os animais que ajudam as bruxas na magia, e são muitíssimo importantes. O da srta. Naufrágio era um polvo: um animal grande, com tentáculos pálidos, ventosas que deixavam anéis de sangue onde passavam e olhos vermelhos maus. Era um polvo menina, e seu nome era Dóris." p. 17

Como não amar Lester depois dessa primeira introtução? E como não rir da "quebra" da descrição terrível do polvo familiar da srta. Naufrágio quando descobrimos que o nome dela é Dóris?
E por aí vai. A cada momento em que Lester está estressado ou chateado, logo a autora nos lembra do seu tradicional calmante, dizendo que "ele olhou para o guarda-chuva do gerente do hotel, mas desistiu de engoli-lo pois podia abrir dentro dele e seria desagradável" ou algo assim. O resultado é um livro engraçadíssimo e inteligente, que é de deixar qualquer um apaixonado pela autora.

A história também é o máximo. Temos um mago terrível que se cansou de ter que ser responsável por todo o terror do país. E temos uma bruxa meiga e gentil que quer ser a mais terrível do mundo. Coitada!

"Se dependesse da sua vontade, Beladona queria negrume - destruir, explodir, estragar e murchar lhe pareciam as coisas mais maravilhosas do mundo. Mas, embora fosse capaz de curar pessoas, fazer feitiços para que flores brotassem da terra e falar a língua dos animais, o menor traço de mal, como, por exemplo, virar um pepino verde claro em pudim preto gorduroso, estava além do seu alcance. Não que não tentasse." p. 23

Ignorem o preconceito que possam ter com livros infantis - ou leiam para seus filhos, netos, sobrinhos, irmãos, não importa - e por favor, façam uma coisa boa na vida de vocês e peguem Eva Ibbotson pra ler. Esse é o meu livro favorito dela, mas ela escreveu vários e são todos bons.

Não percam!

Título Original: Which Witch? (1979)
de Eva Ibbotson (Reino Unido)


07/05/2013

Dresden Files Book 12: Changes



Quando eu li o primeiro livro do Dresden, me apaixonei pela série e nunca mais parei de ler os livros.
Felizmente pra mim, o décimo segundo livro da série foi lançado justamente no ano da minha paixão.

Isso não ajudou muito minha impaciência, já que o final desse livro deixa a gente tão louco pra ler o próximo que quase não consegui esperar.

Acabei pensando em outras coisas, coloquei a minha necessidade num cantinho do meu subconsciente e esperei ansiosamente pelo próximo volume da série.

Que é o máximo.
Changes, como o nome diz, propõe uma série de mudanças no universo do mago Dresden, que vive de resolver casos sobrenaturais na Chicago de hoje em dia.
Depois dos eventos do livro anterior o ambiente no conselho dos magos não melhorou nem um pouco, e quando Dresden precisa pedir um enorme favor, encontra todos muito preocupados com a já aniversariante guerra com os vampiros vermelhos e ninguém se dispõe a ajudá-lo.

Resta a Dresden uma última cartada, já que dessa vez o assunto é tão sério que sua própria vida não é tão importante. E então ele resolve seu problema recordando à rainha do inverno das fadas sua antiga proposta e aceitando-a: força sobrenatural por algumas horas para resolver seu problema em troca de seu livre arbítrio.

Para quem nunca leu livro nenhum dos Arquivos Dresden, as coisas ficam levemente confusas - mas não por muito tempo. O autor explica o que é necessário para a ação, e esta realemente não deixa nada a desejar.

Um esplêndido exemplar que mistura ao mesmo tempo elementos do noir, da fantasia, da aventura e dos romances policiais que é necessário a todos que gostaram dos outros livros da série.

Título original: Changes
De Jim Butcher
Série Dresden Files Livro 12

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